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CADUCEU

Por seu lado, os alquimistas também não deixaram de dar uma interpretação do caduceu. É o cetro de Hermes, deus da alquimia. Recebido de Apolo em troca de uma lira de sua invenção, o caduceu é formado por uma vareta de ouro rodeada por duas serpentes. Estas representam, para o alquimista, os dois princípios contrários que se devem unificar, quer sejam o enxofre e o mercúrio, o fixo e o volátil, o úmido e o seco ou o quente e o frio. Esses princípios conciliam-se no ouro unitário da haste do caduceu que surge, portanto, como a expressão do dualismo fundamental que ritma todo o pensamento hermético e que deve ser reabsorvido na unidade da pedra filosofal (VANA, 18-19).

Essa interpretação insere-se num conceito que faz do caduceu um símbolo de equilíbrio por integração de forças contrárias: representaria o combate entre duas serpentes, do qual Hermes seria o árbitro. Esse combate pode simbolizar a luta interior entre forças antagônicas, de ordem biológica ou de ordem moral, que compromete a saúde ou a honestidade de um ser.

E assim é que, entre os romanos, por exemplo, o caduceu representa o equilíbrio moral e a boa conduta: o bastão representa o poder, as duas serpentes, a prudência, as duas asas, a diligência, e o capacete, os pensamentos elevados. Todavia, neste caso a interpretação não ultrapassa de modo algum o nível do emblemático. O caduceu reúne também os quatro elementos da natureza e seu valor simbólico: a vareta corresponde à terra, as asas, ao ar, e as serpentes, ao fogo e à água.

No que concerne a estas últimas, porém, não é apenas o seu rastejar serpenteante que as faz semelhantes ao movimento ondulatório das vagas e das chamas ou que as assimila à água * e ao fogo *: é sua própria natureza, ao mesmo tempo ardente, pela mordida venenosa, e quase líquida, pela fluidez de seus corpos - o que as torna fontes de vida e de morte a um só tempo. Segundo o esoterismo budista, particularmente o ensinamento tântrico, o bastão do caduceu corresponde ao eixo do mundo, e as serpentes, à Kundalini, essa força que dorme enroscada em espiral na parte inferior do dorso humano, e que se eleva através dos chakras sucessivos até acima da fontanela (ou moleira), símbolo da energia pura, que anima a evolução interior do homem.

Efetivamente, o que define a essência do caduceu é a própria composição e a síntese de seus elementos. Ele evoca o equilíbrio dinâmico de forças opostas que se harmonizam para constituir uma forma estática e uma estrutura ativa, mais altas e mais fortes. A dualidade das serpentes e das asas mostra esse supremo estado de força e de autodomínio que pode ser realizado tanto no plano dos instintos (serpentes) quanto no nível do espírito (asas) (CIRD, 34-36).

No entanto, o caduceu permanece como o símbolo da enigmática complexidade humana e das possibilidades infinitas de seu desenvolvimento. O atributo de Hermes * (Mercúrio *) é feito de uma vareta que é a vara de ouro, ou a árvore da vida, em torno da qual se enrolam simetricamente, em forma de 8, duas serpentes *. Hermes , diz Homero, segura a vara por meio da qual ele embruxa a seu bel-prazer os olhos dos mortais ou desperta aqueles que dormem (Ilíada, XXIV, 343-344).

A vara poderia lembrar, ainda, a origem agrária do culto de Hermes e os poderes mágicos que ele detém; as duas serpentes evocariam o caráter originalmente ctoniano desse deus, capaz de descer aos Infernos e de para lá enviar suas vítimas, ou, conforme sua vontade, de retornar dos Infernos trazendo consigo de volta à luz certos prisioneiros. Pausânias assinala um culto que era prestado ao Hermes negro e ao Hermes branco - os dois aspectos, ctoniano e uraniano, nefasto e favorável, do mesmo deus. As serpentes do caduceu designam essa ambivalência, que é a mesma ambivalência do homem.

Finalmente, de acordo com a interpretação simbólica inspirada por sua ética biológica, e de acordo com a interpretação mitológica que atribui o caduceu a Asclépio (Esculápio), pai dos médicos e futuro deus da medicina porque sabia utilizar as poções para curar os enfermes e ressuscitar os mortos, Paul Diel explica o caduceu da seguinte maneira: a maça * (clava), que é a arma contra a banalidade, transformou-se em bastão-cetro *, símbolo do reino espiritual sobre a vida terrena, símbolo do reinado do espírito sobre o corpo, e a serpente-vaidade (a negação do espírito, a exaltação imaginativa, princípio essencial de todo desregramento malsão) derrama seu veneno na taça salutar (DIES, 230).

É toda a aventura da medicina * que se desenrola no mito de Asclépio e se resume no caduceu: a verdadeira cura e a verdadeira ressurreição são as da alma. A serpente enrosca-se em volta do bastão, que simboliza a árvore da vida, para significar a vaidade domada e submissa: seu veneno transforma-se em remédio, a força vital pervertida reencontra o caminho certo. A saúde é: a justa medida, a harmonização dos desejos (a simetria das espirais das serpentes), a ordenação da afetividade, a exigência de espiritualização-sublimação, (que) presidem não apenas à saúde da alma, (mas também) co-determinam a saúde do corpo (DIES, 233). Essa interpretação faria do caduceu o símbolo privilegiado do equilíbrio psicossomático.

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